Assunção Madureira

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Duas vertentes se alternaram em meu trabalho por longo tempo: as séries de paisagens e as séries de figura humana, especialmente a figura feminina e seu espaço no mundo, com enfoque em seu universo de lutas e conquistas; enfim, o estar no mundo. 


Há que se provar e comprovar competência para se conquistar o “topos” e o “logos” no mercado de trabalho, sem abrir mão das atribuições do Gineceu. As questões existenciais, a tão falada emancipação feminina, tem um preço alto: a dupla, tripla jornada de trabalho, dentro e fora do Gineceu, o domínio das novas tecnologias, isto sem falar na cobrança ocidental da boa forma física, na ditadura da jovialidade e da beleza. 
Com o tempo, o desenho foi perdendo a importância, mas o espaço continua sendo a grande questão, seja ele real ou utópico, imanente ou transcendente. 


“Topos”, espaço, lugar. 


“Logos”, na Grécia antiga, inicialmente a palavra falada, o verbo; mais tarde a capacidade de racionalização, princípio cósmico da Ordem e da Beleza. 


“Logos” e “Topos”, dualidade milenar e atual. No latim, lócus, lugar, espaço. Ou seria limite, proibição? “Até onde se ouve os sinos da igreja”, ou seja, até onde se é permitido ir, nunca ultrapassando os limites da Urbis. Arquétipos Gineceu e Androceu, espaços femininos e masculinos, respectivamente. Nesta trajetória, o espaço pictórico foi relativizado: a figuração foi gradativamente dando lugar à abstração, até que o abstrato se impôs por completo. 


O figurativo perdeu a importância e a composição ganhou mais relevância. As harmonias cromáticas são vibrantes e imperativas. 


A cor é a minha verdade e a minha poética no meu fazer artístico. 

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